• Robério Almeida

O dia da exaustão

Chega ao fim todo um processo de aulas teóricas, aprendemos aqui inicialmente, sobre toda a história do teatro dentro da mitologia grega. Logo em seguida e o mais importante de toda a teoria (segundo este que vos escreve), é a hora de aprender e tentar entender um pouco sobre a louca e brilhante mente de Antonin Artaud. Para mim, um leigo, era muito difícil tentar diferenciá-lo do grande Stanislavski. Como assim você tem que falar com o corpo? Isso não é a memoria emotiva que conhecemos e aprendemos ao passar por Realismo?!


Mas, bastou o aprofundamento no assunto e logo todas as questões foram recebendo suas respostas, a diferença entre eles era tão grande e óbvia, chegam a ser opostos em tudo.


Por que ninguém deu ouvidos a todas as "loucuras" de Artaud? É um fato que quanto mais você estuda sobre, mais perdido fica. Entender foi fácil, mas fazer é uma tarefa árdua e cansativa.


Eis que chegou o grande dia, o dia da exaustão, damos início a aulas práticas e agora que tudo vai começar a fazer sentido. Alguns notam apenas as sensações que o corpo reproduz, mas está explícito o que todo aquele cansaço físico do corpo representa. Basta um olhar mais pensativo sobre todo o processo teórico e você acaba percebendo que o seu corpo responde de formas diferentes para cada sensação, cada emoção e cada mudança de tempo. Sem palavras você tem ali uma resposta para tudo, com um balançar de braços, com uma respiração ofegante ou leve, com um passar de pernas e balançar de cabeça, o seu corpo diz tudo que esta acontecendo e o cansaço é apenas a conclusão da exaustão de uma grande conversa corporal.


Antonin Artaud em La Passion de Jeanne d'Arc dirigido por Carl Theodor Dreyer, 1927

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"A vida é a imitação de algo essencial, com o qual a arte nos põe em contato." - Antonin Artaud

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