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Fábio Tavares

Fábio Tavares é diretor teatral, dramaturgo, produtor cultural, gestor, empresário e formador de atores, com carreira desenvolvida principalmente em Salvador. É fundador e diretor-geral do Centro Cultural Ensaio, além de coordenador geral dos cursos artísticos da instituição. O próprio currículo institucional também o apresenta como diretor artístico, administrador, gestor de eventos e dramaturgo. (Ensaio)

Ele está diretamente associado à criação e consolidação do Centro Cultural Ensaio, no Garcia, espaço que abriu suas portas em 2009 e desenvolveu um modelo que combina formação artística, produção de espetáculos, residência de grupos, ensaios e circulação cultural. Uma reportagem de A TARDE, de 2023, também o identifica expressamente como fundador do Centro Cultural Ensaio em 2009. (Ensaio)

Assim, é possível enxergar sua carreira em pelo menos quatro eixos simultâneos: direção teatral, dramaturgia, produção/gestão cultural e formação de artistas.

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Quem é Fábio Tavares

 

Em síntese

Fábio dos Santos Tavares é um diretor e dramaturgo soteropolitano cuja trajetória está ligada à construção de um projeto contínuo de teatro em Salvador desde 2009. É fundador do Centro Cultural Ensaio, dirige e produz espetáculos, escreve dramaturgia, trabalha na formação de atores e mantém relação com a Companhia de Teatro Terra Brasilis. Sua produção passa de trabalhos autorais ligados à cultura afro-brasileira, como Lenda das Yabás e Fé, por Temporada Final e Velório, até releituras de autores como Ariano Suassuna, Plínio Marcos, Chico Buarque, Nelson Rodrigues e Shakespeare. (Ensaio)

Uma característica que considero especialmente forte no conjunto da obra é que a carreira dele reúne criação artística e construção de infraestrutura para a própria cena teatral. Ele não ficou apenas na função de encenador: criou espaço, companhia, processos formativos, oficinas, produções e temporadas. Isso faz com que sua trajetória possa ser lida tanto como a de um diretor teatral quanto como a de um produtor e articulador da cena independente de Salvador. (Ensaio)

O começo da trajetória e a Companhia Terra Brasilis

Há registros públicos da atuação de Fábio anteriores à projeção das montagens atuais. Em uma matéria de janeiro de 2013 sobre Lenda das Yabás, ele já era apresentado como diretor associado a trabalhos como Benedita, Fogueira, Escombros e Quadrilha. Naquele espetáculo, acumulava funções de concepção, texto, direção artística, cenografia e direção de produção, além de participar da programação visual. (Bahia Já)

Ele também aparece fortemente relacionado à Companhia de Teatro Terra Brasilis — CTTB, grupo cuja pesquisa sobre teatro brasileiro e seus autores é descrita como existente desde 2009. Em montagens posteriores, Fábio aparece tanto como diretor quanto integrando o elenco da companhia. (Bahia Notícias)

Isso é importante porque demonstra que sua trajetória não nasceu apenas da administração de um espaço cultural: existe um percurso continuado de pesquisa, encenação e trabalho de companhia.

“Lenda das Yabás” e uma primeira assinatura artística mais evidente

Um dos trabalhos que melhor documentam a linguagem de Fábio é Lenda das Yabás, escrita e dirigida por ele e apresentada em Salvador a partir de 2012/2013, posteriormente chegando ao Theatro XVIII, no Pelourinho. A montagem investigava ancestralidade e cultura afro-brasileira por meio das histórias das Yabás e combinava dramaturgia, música executada ao vivo, dança, expressão corporal e pesquisa de elementos religiosos e culturais afro-brasileiros. (Ensaio)

O registro do processo de 2013 é particularmente interessante porque descreve uma construção que colocava o corpo do ator no centro da criação, trabalhando dança, pantomima, gesto, palavra e expressão. O texto sobre o processo cita inclusive inspiração em Jerzy Grotowski, além de uma combinação entre elementos da dança contemporânea e interpretação. (Bahia Já)

Esse dado ajuda a entender uma característica que reaparece muitos anos depois em trabalhos como Macbeth: Fábio parece interessado menos em uma encenação puramente literária e mais na construção visual, física e sensorial da cena. Isso é uma interpretação minha a partir da continuidade observável entre trabalhos de 2013 e 2026. (Bahia Já)

“Fé. E os Orixás se Fizeram Presentes”

Outro projeto autoral importante foi Fé. E os Orixás se Fizeram Presente, no qual Fábio aparece novamente assinando concepção, dramaturgia e direção, além de participar da concepção de iluminação. A montagem teve apresentações documentadas no Teatro XVIII e posteriormente no Teatro SESI Rio Vermelho. (Alma Preta). Há, portanto, uma fase inicial bastante marcada por dramaturgia autoral e investigação da cultura afro-brasileira, sobretudo em Lenda das Yabás e Fé.

Dramaturgia própria

O currículo institucional do Centro Cultural Ensaio atribui a Fábio a escrita, direção e produção, entre outros, de:

Lenda das Yabás — 2012. 

 

Fé — 2017


Velório — 2019


Temporada Final — 2022. (Ensaio)

Isso o diferencia de um diretor que trabalha somente com textos de terceiros: ele também construiu uma trajetória como dramaturgo. Em 2024, por exemplo, Velório — Uma Família Nada Unida, com Fábio identificado como preparador de elenco, dramaturgo e diretor artístico. (Agendarte Cultura)

“Temporada Final” e o metateatro

Em 2022, Fábio dirigiu Temporada Final, espetáculo estruturado como metateatro e relacionado às cinco fases do luto após o fim de um relacionamento. A montagem explorava negação, raiva, negociação, depressão e aceitação a partir de quatro personagens e tinha a tragédia como uma das bases de sua linguagem. (Jornal Grande Bahia (JGB)). A produção chegou também à Sala Principal do Teatro Castro Alves, um dado relevante na trajetória de circulação do trabalho. (Sympla). Nessa mesma época, sua atividade pedagógica aparece claramente documentada. Em 2022, ministrou oficinas como A Tragédia e seus Ritos na Atuação, voltada à expressividade, exercícios e laboratórios cênicos, e Luta Cênica e Teatro Físico, utilizando exercícios técnicos, energéticos e sensoriais aplicados à interpretação. (Sympla)

E essa dimensão de professor não começou ali: já em 2013, há registros de Fábio ministrando oficina de jogos teatrais, improvisação e introdução ao teatro, trabalhando corpo, voz, respiração, ritmo, criatividade e prontidão. (Bahia Já)

A passagem para releituras de grandes autores

Nos anos mais recentes, há uma mudança bastante interessante no repertório. Sem abandonar sua pesquisa de linguagem, Fábio passa a dirigir com frequência grandes textos da dramaturgia brasileira e internacional, buscando imprimir uma leitura própria sobre eles. Entre os trabalhos documentados estão Navalha na Carne, de Plínio Marcos; Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna; Os Saltimbancos, de Chico Buarque; O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues; e, mais recentemente, Macbeth, de William Shakespeare. (Ensaio). Essa sequência é importante porque começa a revelar uma assinatura muito clara.

 

“Auto da Compadecida”

A montagem de Auto da Compadecida tornou-se um dos trabalhos mais visíveis de sua trajetória recente. Fábio alterou a estrutura narrativa tradicional: sua encenação começa pelo fim, com os personagens já mortos e no céu, e a história passa a reconstruir como chegaram até ali. (Salvador da Bahia).

Em entrevista a A TARDE, ele explicou que o desafio era encontrar originalidade em uma obra montada inúmeras vezes, rejuvenescendo linguagem, ritmo e expressão corporal sem eliminar a identidade sertaneja e o universo de Ariano Suassuna. A pesquisa envolveu literatura de cordel, filmes, documentos e entrevistas do autor. (A TARDE). Essa declaração é particularmente reveladora da maneira como ele dirige: não parece interessado em simplesmente reproduzir o clássico; procura encontrar uma chave dramatúrgica que permita reconstruí-lo para o espectador contemporâneo. (A TARDE). A montagem teve diversas temporadas em Salvador e também circulou fora da capital, incluindo apresentação em Lauro de Freitas. (Agendarte Cultura)

 

“Navalha na Carne”

Em 2023, dirigiu Navalha na Carne, de Plínio Marcos, outro texto de grande peso na dramaturgia brasileira. As divulgações da montagem já identificavam Fábio a partir de trabalhos anteriores como Lenda das Yabás e Temporada Final. (Sympla). A escolha de Plínio Marcos também ajuda a mostrar o interesse de sua direção por textos com violência social, tensão psicológica, marginalidade e conflito humano.

 

“Os Saltimbancos”

Com Os Saltimbancos, Fábio entrou de forma mais evidente também no teatro musical infantil profissional. A montagem foi divulgada como a primeira montagem profissional daquele espetáculo em Salvador e utilizou arranjos originais e músicas executadas ao vivo. (Roteiro Cultural Salvador)

O espetáculo continuou circulando posteriormente, inclusive em temporada no Teatro Molière em 2026.

É interessante porque demonstra uma amplitude de repertório considerável: o mesmo diretor passa de Plínio Marcos a Chico Buarque, de Ariano Suassuna a Nelson Rodrigues e Shakespeare.

“O Beijo no Asfalto” — uma fase de releituras contemporâneas

Em 2025, Fábio dirigiu uma nova montagem de O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues. O Correio destacou justamente que a releitura de grandes clássicos vinha se tornando uma marca de suas encenações em Salvador. (Correio 24 Horas)

A montagem atualizou determinadas questões presentes no texto para discutir temas como masculinidade, fake news, violência policial, paixões reprimidas, hipocrisia social, opinião pública e família tradicional. (Correio 24 Horas)

E há uma experiência dramatúrgica interessante: em temporada de 2026, a montagem chegou a trabalhar com três conclusões distintas para a história, apresentadas em dias diferentes. (Sympla)

Fábio declarou sobre a obra que o desafio era fazer o público olhar para si mesmo através do texto de Nelson Rodrigues, reforçando a ideia de que sua releitura não pretende apenas modernizar a estética, mas recolocar os conflitos clássicos diante do presente. (Correio 24 Horas)

“Macbeth” e a consolidação da linguagem física

Em 2026, essa pesquisa chega a Macbeth – Página 1606 do Livro..., de Shakespeare. A montagem dirigida por Fábio no Teatro Módulo se afasta explicitamente de uma construção tradicional e utiliza uma narrativa predominantemente física, experimental e imagética. Corpo, atmosfera, composição visual e recursos sensoriais são utilizados para trabalhar ambição, violência, corrupção do poder, culpa e loucura. (Soteropreta)

É justamente aqui que aquele fio que aparecia em Lenda das Yabás, mais de uma década antes, volta a ficar bastante evidente: o corpo não funciona apenas como veículo para o texto; ele se torna parte da dramaturgia da encenação. Essa leitura é uma inferência baseada na descrição pública das duas montagens. (Bahia Já)

A assinatura artística de Fábio Tavares

Depois de analisar trabalhos de períodos diferentes, eu resumiria a linguagem de direção dele em alguns elementos recorrentes:

  • releitura de clássicos, em vez da simples reprodução de montagens tradicionais;

  • valorização do corpo do ator e da expressividade física;

  • utilização de imagens, atmosferas e elementos sensoriais como componentes da narrativa;

  • intervenções na estrutura dramatúrgica, como ocorre em Auto da Compadecida e O Beijo no Asfalto;

  • interesse pelos conflitos entre poder, moral, religião, violência, identidade e comportamento humano;

  • pesquisa como parte do processo de criação;

  • aproximação entre teatro popular e experimentação cênica. (A TARDE)

Esse perfil também explica como ele consegue trabalhar com materiais aparentemente muito diferentes — Suassuna, Plínio Marcos, Nelson Rodrigues, Shakespeare, Chico Buarque e dramaturgia autoral — sem ficar restrito a um gênero específico.

Fábio como formador de atores

Essa é uma parte central da carreira dele. Atualmente, o Centro Cultural Ensaio o apresenta como Coordenador Geral dos Cursos Artísticos Ensaio. Há registros de sua atividade pedagógica desde pelo menos 2013, com cursos de improvisação e jogos teatrais, e posteriormente oficinas relacionadas à tragédia, teatro físico e luta cênica. (Ensaio)

A metodologia descrita nesses cursos privilegia exercícios práticos, corpo, voz, respiração, prontidão, criatividade, ações e reações, técnicas energéticas e sensoriais e laboratórios de interpretação. (Bahia Já)

Ou seja, existe uma continuidade entre o Fábio diretor e o Fábio professor: os mesmos interesses por corpo, experimentação e construção física aparecem nos dois campos.

Gestor e produtor cultural

Essa talvez seja a diferença mais importante entre Fábio e muitos diretores que atuam somente artisticamente. Ele não apenas dirige os espetáculos: participou da construção de uma estrutura permanente de produção cultural. O Centro Cultural Ensaio foi aberto em 2009 com a proposta de oferecer espaço de criação e residência para artistas, mantendo atividades de formação, ensaios, produção, apresentações e circulação. O próprio modelo econômico descrito pelo CCE utiliza receitas provenientes das atividades artísticas e de formação para manter estrutura, figurinos, cenários e produções. (Ensaio)

Os registros empresariais públicos também confirmam Fábio dos Santos Tavares como sócio-administrador da pessoa jurídica que opera o Centro Cultural Ensaio, reforçando que sua participação não é apenas artística, mas também administrativa. (Econodata)

Portanto, profissionalmente, talvez seja mais exato descrevê-lo como artista-gestor.

Festivais, editais e circulação

O currículo registra projetos ligados ao Centro Cultural Ensaio em iniciativas e festivais como Prêmio FUNARTE Nelson Brasil Rodrigues, Edital Manuel Lopes Pontes/Fundação Cultural do Estado da Bahia, FILTE, FIAC, Mostra Cariri de Culturas, Festival Nacional Ipitanga de Teatro, MUST/UFBA, Espicha Verão/Bahiatursa, Home Theater – Festival Internacional de Cenas do Rio de Janeiro, Verão Cênico e Programa Aldir Blanc Bahia, entre outros. (Ensaio)

Onde ele se encontra profissionalmente hoje

Em 2025–2026, Fábio parece estar numa fase especialmente voltada à releitura de grandes textos, com O Beijo no Asfalto, Os Saltimbancos, Auto da Compadecida e Macbeth ocupando parte importante de sua atividade recente. A imprensa cultural baiana já descreve essa releitura contemporânea de clássicos como uma característica de suas encenações. (Correio 24 Horas)

Paralelamente, continua ligado à direção geral e à formação artística do Centro Cultural Ensaio. Seu perfil profissional público também se apresenta atualmente como “Diretor Teatral, Produtor e Dramaturgo” e diretor do Centro Cultural Ensaio. (Instagram)

Contato

(71) 99716-7872

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